Parei umas duas horas hoje pra assistir televisão, e foi o suficiente pra eu surtar e me preocupar com os filhos que terei daqui um bocado de anos. Como pode não ter mais aqueles comerciais dos brinquedos ESTRELA, por exemplo?
Tá ok, você pode dizer que sou estranha e que eu já devia ter percebido isso – mas você também deve saber que nos últimos dez anos eu troco televisão por leitura – mas é tão constrangedor não ver mais aqueles comerciais de bonecas de patins, de carrinhos de controle remoto, de bonecas de um metro e sessenta.
Aí eu lembrei do meu primo de 10 anos que só pensa em CS e toda a diversão está numa tela de computador. Ninguém mais brinca na lama, brinca de casinha, de fazer barraca no quarto, de fazer bolo de barro e enfeitá-lo com aqueles ‘trevinhos’ azedos.
Deixo aqui o meu pesar sobre os extintos comerciais de brinquedos.
...
O dia foi estressante. Eu chorei a tarde toda.
Primeiro que o dia começou super bem. Eu mal consegui escovar os dentes, meus dedos doíam muito. A mãe de imediato sacou que eu estava com os nervinhos da mão tudo danado, e me enfiou uma tala.
Espero estar bem até sábado.
É terrível olhar pra essa tala e lembrar aquele olhar confuso diante de uma atitude totalmente nova pra mim. Eu nunca fiz aquilo. E não faria de novo. Mas foi de total impulsividade da minha parte.
Depois de falar com a única pessoa que eu podia contar isso – e até agora eu não sei o porquê – eu fiquei pensando em tudo de novo. Revivi cada situação, cada movimento, cada olhar.
O olhar permanece o mesmo. O mesmo que eu deixei ali, naquela praça, no meio da chuva. Tudo permanece igual, exceto uma ironia que eu não conheci, e uma ponta de falsidade que eu tinha a esperança que não existisse ali.
Era a mesma coisa. O anel, o relógio, o penteado, o brilho nos olhos, as mãos trêmulas, a calma, a voz, o bom humor, o jeito de andar, o carro, a mania de brincar com os dedos. Mas tinha alguma coisa ali que eu não conhecia. A companhia, quem sabe.
Me disseram hoje que o que eu não conhecia nele que estava ali era a minha ausência. O que eu não conheci nele era a falta de mim. Era a ausência da minha imagem refletida naqueles olhos, dos meus dedos entrelaçados naqueles dedos, da minha pequena estatura do lado de um ser quase gigante. Isso eu não conheci em você.
A minha ausência em você sempre foi ausente porque eu sempre estive com você. Não tinha visto aquele olhar de peixe nem a sua voz falha. Não tinha te visto sem um olhar aceso pela vida inteira de felicidade que você estava certo que teria – não que não terá, mas não vai ser do jeito que sonhou.
Exatamente isso e agora eu tenho mais certeza ainda. Foi essa minha ausência em você que eu não tinha conhecido, e não gostei de conhecer. Uma vez você me disse que não conseguiria ser o que você era sem eu, e eu achei bobagem aquilo, te chamei atenção. Mas você tinha razão. Não é mais como era, e mesmo permanecendo com todos os acessórios que usava e com aqueles olhos cintilantes falta alguma coisa que te fazia ser indescritível. Me falta. ;)
...
Bom, depois de todo o estresse de ontem e de hoje e a dor na mão, eu sobrevivi e estou muito bem.
Chorei a tarde toda por saber que meus avós não vem pra Marcha, mas eles vem, um dia desses.
Chris, obrigada pela amizade e por ensaiar terremoto comigo e ficar tocando enquanto eu sinto cheiro de erva cidreira. ^^
Julyana, você é muito especial e não imaginei que fosse me entender tão bem. Obrigada por ser minha amiga. Eu te amo.
Pro povo da banda, que Deus abençoe vocês!
Pras meninas da dança, um beijãão!
Gee, saudades. Te amo.
