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terça-feira, 28 de julho de 2009

...nada em troca.!


Eu não tenho travas na língua. Sempre fui tão impulsiva, tão exagerada, tão sincera. Desde que fosse a verdade do que sinto, nunca me envergonhei de dizer nada do que se passa aqui dentro, do que eu penso.
E, mesmo sendo tão cruel, tão injusta, tão desumana; ainda continuou amando sozinho.
Isso foi nobre. Mais nobre do que as verdades que eu disse, do que as vezes que insiste com fé ou sem fé nenhuma. Foi mais nobre do que todas as vezes que eu te procurei querendo conversar.
Eu te olhei sem querer olhar, sem querer dizer que eu andei errado, de novo; e que seus conselhos estavam certos. Que você fez até onde pode e, depois, me entregou pra alguma coisa que nunca existiu.
E foi bom te olhar e descobrir que eu ainda encontrava o conforto, o abrigo que eu sempre tive. O amigo, acima de tudo, que sempre me viu como eu realmente sou, e nem por isso deixou de me amar.
Que não se importou com todas as verdades que eu te disse, que eu sei que te machucaram. Mas ficou ali, calado, me ouvindo, rindo de mim por ser tão boba, tão sonhadora e tão sincera.
Perguntando se ainda compro flores, se ainda olho a lua e se eu notei que ultimamente uma estrela tem brilhado mais que todas as outras.
Sabe quando você implora que alguma coisa aqui dentro te faça amar esse alguém como nunca antes?
Que você o ame como ele merece, que possa retribuir todo esse amor consentido?
Mas, eu não consigo. E foi lindo ouvir você dizer que também me entendia por eu não conseguir te amar como devia.
É exatamente por isso que eu continuo. Eu posso perder algumas pessoas, mas, eu sempre ganho uma que me surpreende, às vezes nem ganho, ela já está ali do meu lado, só esperando ser notada.
Obrigada por ter ido atrás de mim, por pedir pra eu te olhar, sem medo, como sempre fiz.
Obrigada pelo suco que eu não queria, por me ouvir, por querer saber de cada detalhe, e por parecer tão certo do que sempre sentiu.
Eu te admiro e te respeito, e te amo, de alguma forma, mas amo.
Amo pelo tempo que me conhece, que se dedica, que se importa, que se preocupa, que cuida, que liga, que me atura, que me entende, que me olha, que me ouve, que me toca, que me abraça, que cala, que fala, que sente, que dedica tanto da sua amizade, do seu amor.
Obrigada por amar sem pedir nada em troca.
Uma hora ou outra a gente sempre é amado como merece... Que alguém te ame e cuide de você como você merece.
Eu, aqui, trancada dentro de mim há dias, continuo sem a esperança de ser um dia tão nobre como você.
É confuso demais, suspeito demais, exagerado.
Não seria a minha vida se não fosse assim, não é verdade?
Não seria eu se não tivesse um bocadinho de drama.
Buenas... Vem o vento e muda tudo de lugar. Um dia eu vou dizer que ISSO É BOM.
Por enquanto, ainda estou meio perdida com a bagunça que o vento fez aqui em casa, também terei que me acostumar com a antiga situação, eu nem lembrava mais como era.
Bom... Que as coisas boas voltem, e que essa coisa seca aqui fique por pouco tempo. Sinto cheiro de bons ventos no ar :) E isso é bom, de novo.
A luz volta a brilhar de manhã e você sabe que eu estou esperando você sorrir, sempre. Todos os dias tem pôr-do-sol e eu não pretendo ir tão cedo...! (8)






"Eu deixarei...Tu irás e encostarás tua face em outra face...

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada...

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu..."




segunda-feira, 27 de julho de 2009

...nos permitir.!

O plano não era esse. O plano era que o encanto permanecesse. O plano era se encantar sempre. O plano era não ter partidas. O plano era não precisar de mudar, o plano era não cansar, o plano era que permanecesse sempre assim.
O plano não era te perder. Não era ter saudades insuportáveis. Não era te deixar nem te dar o último abraço.
Com o umbigo e tudo que vem depois do perigo, com o bonsai, haicais, jardim de inverno, girassóis, e rascunhos guardados na gaveta do criado mudo ao lado da cama, eu fico, mais uma vez, esperando que você volte, como voltou naqueles quinze minutos.
Tudo bem... Eu fico, a gente fica. A gente continua preferindo as filosofias, as tardes de encanto, as noites de inverno, as manhãs de chá quente.
É como uma rosa. Existia somente o botão, escondido num canto, até ser tocado pelo vento e iluminado pelo sol. Iludida por todo o encanto, se abre e desabrocha numa das coisas mais belas que existe, num dos maiores significados do amor, da paixão, da vida. E, sem demora, morre. Levando consigo toda a beleza, toda a luz, todo o significado.
O mar estava lindo, tudo com cara de inverno.
E no espelho, o pior e o melhor de mim. Eles já não ficam mais guardados, escondidos em algum canto aqui dentro. Mas ficam expostos, sem vergonha de mostrar exatamente o que são, o que sempre quiseram.
Você bateu aqui na porta e eu deixei você entrar, só entre com cuidado, olhando onde pisa, não toque nos quadros, nem abra as caixas do canto da sala; sente-se sem desarrumar as almofadas - elas estão pela ordem das cores. Deixe a música tocar e não abra a janela.
E se eu não sentar ao teu lado, me deixe quieta. Não faça perguntas. Não invente histórias. Não pergunte se estou bem... Também não pergunte qual a fase da lua nem se o sol saiu hoje, faz uma semana que não saio de casa.
Essa semana não estava nos planos. Nem esse ano, nem ano passado, nem ano retrasado.
Nada disso estava nos planos. E por não estar, eu me perdi, e agora vivo procurando motivos para tocar piano como antes, quando eu atraia os pássaros com os sons que eu tocava, sem partitura... Só deixando que os dedos tocassem o que saía da alma.
Queimei os rascunhos da gaveta... Não os quero mais. Eram pensamentos aleatórios, impulsões. As malditas impulsões que sempre me fizeram agir de maneira errônea, sem razão.
Talvez eu mande aquelas cartas que escrevi e termine o livro que comecei.
Talvez... Quem sabe.
A vontade aqui mesmo é de estar longe, de respirar um ar mais puro, sem esse sufoco de superar expectativas. Olhar tudo do meu jeito, sem seguir regras, sem deixar que manipulem, que suponham.
Simplesmente... Respirar um pouco mais além, sentir o ar entrando e oxigenando.
Quem sabe, depois eu penso um pouco em tudo.
Não vale à pena nada disso, nenhuma tortura, nenhuma culpa.
O que vale realmente é a vida que está sendo vivida e que, a propósito, é uma só.
Fica aí com tudo que é contrário ao que eu tenho aqui... Né, não? >.<>.<
E pro resto do povo, queijos, mil queijos.


"... não a tempo que volte amor, vamos viver tudo que há para viver, vamos nos permitir..."

(L)


(quando eu estiver com mais paciência, posto outras. Provavelmente, amanhã.)