domingo, 13 de setembro de 2009

...cheiro doce, que não enjoa.!

Quem me conhece sabe como eu sempre fui orgulhosa, cheia de filosofias e cantando realidado aos quatro ventos. E quem me conhece também sabe que nada disso estava nos meus planos.
Minha vida tem uma mania de mudar o rumo repentinamente sem que eu consiga entender pra que lado eu estou indo. Depois, quando vou ver, eu já estou lá e não tem mais volta - até porque, eu não sei se gostaria de voltar.
Sempre fui chegada em andar sem rumo - mas no fundo eu sempre sabia pra onde estava indo - o que me causa dores de cabeça e falta de apetite é saber que não sei onde estou indo, e que eu sei - embora finja não saber - que é tudo verdade, que as pessoas estão certas e que tudo indica que SIM.
Eu morria de rir hoje cedo com o desespero de quem me ama, e tentava deixá-las calma dizendo que eu ficaria ali, sempre. Mas... Alguma coisa aqui batia contra. Como aquele compasso errado da música clonada que eu ouvi esses dias com a Sara.
Então... Não resta mais nada. Correto? CORRETO!

...

Fazia um tempão que não me divertia como me diverti nesses últimos dias.
A formiga que eu não matei, o teclado sinistro do astronauta, a guitarra hiper pesada, o teclado que eu fujo, o lanche, a torre, as piadas, até as tonturas - que agora eu sei os motivos, as crises de riso, a criatividade, a mente fértil, as novas amizades, e um novo jeito de olhar tudo, todas as esferas de um jeitinho... Nosso. ;)
E fazia um tempão que eu não sentia aquele cheiro de erva com madeira. E eu senti, de novo. E eu e meu avô sabemos exatamente o que isso significa. Digamos que eu não queria parar de sentir aquele cheiro. Mas foi rápido demais e só aconteceu duas vezes.
E eu me senti como naquele dia do banho de chuva, há uns 10 anos atrás (senão mais).
Livre e do jeito que você sempre me falou, ao telefone, que eu devia me sentir quando conseguisse voltar a viver, lembra?

...

Eu tô sentindo uma saudade DANADA dos meus velhinhos mais lindos do mundo! *-*
Uma vontade de deitar no colo deles e dormir... Ou de passear na beira-mar, de levar eles pro McDonald's, de comer yakissoba com minha vó, de aprender a ser linda e chiquérrima como ela, de cozinhar pra ela. Tenho tanta coisa pra falar, pra mostrar.
Dizer que eu aprendi a fazer o bolo da família ^^ Que eu não queimo mais o arroz, que o meu feijão tá melhor que o da mãe, que a minha carne de panela é SUPIMPA e que eu aprendi a fazer o cação ao molho branco como ela fez da última vez que fui lá.
Esses dias não foram o suficiente e... Eu nem pude mostrar meu quarto, mostrar as fotos na parede, o meu vestido de casamento, o meu diário, as flores que plantei e o lírio que está mais lindo que antes.
Comprar flores, cultivar amores... E depois, sentir o cheirinho deles aqui, pertinho de mim.
Quero comer milho na lata com a vó assistindo Ana Maria Braga, quero jogar dominó e cantar QUÃO GRANDE ÉS TU com meu avô, quero aprender a cantar com ele, só perto deles que eu volto a ser aquela criança que eu deixei lá atrás, perdida em algum jardim de margaridas plantadas pelo meu vô.
Voltar a ser aquela menininha mirradinha que só sabia perguntar sobre amor, sobre amizades e que pedia pra nunca crescer. Que subia na árvore, que ria com os dentes sujos de chocolate, que dormia no finalzinho da tarde ao som da panela de pressão depois de uma tarde super divertida e recheada de brincadeiras. Aquela menininha que brincava de carrinho e empinava pipa e que nas horas vagas brincava de boneca. Aquela menina que sonhava todas as noites com um príncipe que a levaria pra um liiindo jardim de tulipas.
Ah! Lembrei da primeira vez que vi uma tulipa... Meu vô conta que meus olhos cintilaram de felicidade e, naquele dia, ele entendeu que minha flor preferida era aquela. As margaridas do meu avô nunca deixaram de ter um significado gigantesco na minha vida, mas as tulipas me encantam, como nenhuma outra.
E eu lembro quando o vô me olhou e disse ' elas só nascem no inverno '. Eu fiquei mais feliz ainda. Eu sempre amei o inverno. Tudo fazia sentido e eu entendi que tudo que eu fazia tinha alguma coerência com quem eu seria um dia, com quem hoje eu estou sendo.
Me olhar no espelho não é mais tão difícil.
Agora eu consigo enxergar aquela mulher que meu vô sempre disse que um dia eu enxergaria.
E isso só me fez querer voltar a viver... A respirar fundo no final da tarde e sentir o cheiro doce da vida. O único cheiro doce que não enjoa.