sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Natal passado a árvore estava muito mais bonita, chegava a ser encantador ficar ali na beiramar parada olhando-a, mas eu não estava feliz; nem um pouco. Eu estava com medo, decepcionada comigo por ter acreditado demais, sonhado demais; ido tão alto ao ponto de nem conseguir enxergar mais a base que me sustentava ali. E eu caí. E caí muito feio. Eu não acreditava que me levantaria, e fazia questão de deixar isso bem claro pra quem passasse por mim.
Mas no fundo eu sabia, meu Mestre sempre foi minha esperança, e eu sabia que Ele sempre esteve comigo mesmo quando eu O achava tão grande ao ponto de não conseguir me ver.
E a questão é que esse ano a árvore está muito feia, eu mal tenho ânimo de fazer aqueles passeios familiares pra bater quinhentas foto da árvore, correr pela beiramar e tomar sorvete; mas eu estou bem, tão bem como não estive natal passado.
Ocupada com tantas coisas e sonhando mais que ontem e menos que amanhã que eu mal tenho tempo pra pensar no que eu pensava há quatro meses, por exemplo.
Depois que tem sido bom conversar com velhos e bons amigos, reencontrar aqueles que me faziam companhia todos os dias há oito anos.
Lembrar de bons momentos e viver outros melhores ainda.
Certo?
Certo.

...


Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo.
Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm!
É sua mãe, quem mais poderia ser?
Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios.
Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras.
O amor dá meia-volta, volver.
Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você.
Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.
O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro.
Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente.
Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após o primeiro beijo.
O amor odeia clichês.
Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza.
Idealizar é sofrer.
Amar é surpreender.