Eu não consigo nada disso.
Me embanano toda, misturo, confundo tudo. Uma hora estou suspirando dizendo sentir saudades de um amor que me deixava tonta depois de um beijo, e outra hora, estou chorando as mágoas de nunca mais ter tido a oportunidade de ficar sozinha com meu passatempo que me encantava com todo aquele mistério desconhecido e me fazia passar dos limites sem remorsos.
E outra hora estou dizendo aos ventos que irei esperar tudo acontecer com muita paciência. Ok, normal qualquer pessoa dizer isso.
O que muitos não sabem é que eu não estou me referindo a uma espera para a vida acontecer, mas pra você voltar pra mim. E o que você não sabe é da minha inconstância, hoje posso querer esperar você me querer, amanhã posso não te querer mais.
Os dias tem sido chatos. Confesso.
Na verdade, eu queria alguém pra ficar comigo durantes esses dias terrivelmente tediosos. Alguém pra me ouvir quando eu estivesse sendo sensata, e pra rir dos momentos em que eu surtasse dizendo nunca mais querer ninguém. E por falar nesses momentos de pura revolta, estou começando a falar que não quero ninguém em meus momentos mais sensatos.
Isso não é preocupante, mas é deveras estranho.
Até semana passada eu sonhava com a minha casinha no campo com cerquinha branca, crianças correndo pela casa e ter de um lado da cama um livro de cabeceira e do outro o amor da minha vida.
Hoje eu estou pensando em reescrever meu livro e começar a pensar em outros, terminar o projeto com as crianças, fazer umas compras, curtir um final de semana num Park Hotel e ler algumas centenas de livros da minha lista.
Ah! E também refazer minha lista de objetivos na vida.
Continuo querendo tudo o que eu estava sonhando e um pouco mais (já que é muito explícito colocar o texto que eu fiz aqui no blog).
Mas eu quero.
Eu quero um amor todinho meu, não uma metade, nem alguns caquinhos, mas todinho. Que eu possa chamar de meu, apertar, morder, beijar, bater. É meu, caramba!
Ah... E eu quero surpresa, quero loucuras, quero bagunça, crise de ciúme, briguinhas que acabam em agarros, provas de amor.
Eu quero me surpreender.
Até hoje, todos esses meus amores foram pré-definidos por uma lista de objetivos na vida, por um sonho bobo, por uma aposta. Agora eu quero me surpreender.
Esse último eu tinha pedido um banho de chuva e, inesperadamente, ganhei um. Foi super divertido, não nego.
Mas não foi surpresa.
Eu queria aquilo. Assim como foi em outros relacionamentos. Eu sempre desconfiei da surpresa, sempre fingia que estava surpresa com o anel, com a declaração, com as palavras.
Acredita que um teve a coragem de ler um texto do meu blog e me repetir tudo dizendo que era de sua autoria?
Ah... Fala sério! Se não tem capacidade pra dizer umas palavras bonitas, então cala a boca.
E, na verdade, eu quero que ele leia meus textos, tente me descobrir. Até porque, hoje eu sou isso, amanhã aquilo e a mutação é constante. E, pra ser meu, ele vai precisar me descobrir todos os dias, me convencer e me encantar.
Eu quero me apaixonar todos os dias por aquele cara alto, nem magro, nem gordo, de olhos escuros, de abraço apertado, de encaixe perfeito, de barba cerrada, de amor sincero que me traz flores com um bichinho de pelúcia em plena quinta-feira, depois que eu chego do trabalho descabelada e me jogo no sofá. Que me entrega as flores com um sorriso enlouquecedor e ri quando eu quero morrer por estar horrível e que me cala com um beijo quando eu vou brigar com ele por ele não ter me avisado que viria.
Eu quero viver o que ninguém me permitiu que eu vivesse. Que ninguém me fez conhecer e que eu só conheço por que sonho, porque tenho uma mente incrivelmente fértil. Eu quero sentir falta na segunda mesmo depois de passar o sábado e domingo com ele e saber que o verei na terça. Eu quero enlouquecer de saudade, e quero que essa saudade me faça correr atrás dele onde quer que esteja só pra eu abraçá-lo e voltar correndo para o escritório.
Eu quero ser a irresponsável da relação, eu quero ser a maluca, a que não tem limites e não a que precisa se manter centrada sempre pra que nada saia dos conformes, pra que tudo fique bem e não acabe em discussão. Eu não quero ser a que presta atenção nos detalhes, que vive se preocupando exageradamente, perguntando se tudo está bem, se sentindo incapaz de fazer alguém feliz.
Eu quero ser feliz e quero ter a certeza de que ele é feliz porque me ama e porque ele me faz feliz. Que por causa dele eu deixei de me trancar num casulo pra voar ao lado dele. Que eu não preciso dele pra andar nem ser feliz, mas que é muito melhor andar e ser feliz ao lado dele.
Eu quero alguém assim... Que não tem forma, nem nome, nem cheiro... Mas que está vivo em meus sonhos e que um dia vai renascer pra mim e vai me encontrar em algum lugar, um lugar onde jamais eu espero encontrar o amor da minha vida. A vida me reserva surpresas, e a melhor delas será o dia em que ele se tornar real pra mim e eu puder sentir o cheiro, ver a forma, e pronunciar o nome.
Eu quero que ele faça massagem melhor que meu pai, que ria das minhas muitas crises de rinite e cuide de mim quando eu mancar por causa do joelho. Que não se importe com a cor do meu cabelo nem com o tamanho do meu brinco. Que goste de mim assim, do jeito que eu sou. Um dia social, outro dia esporte, outro hippie, outro caseiro, outro moderninho. Que entenda minhas fases e não se importe com minhas olheiras num dia de cólica. Que não prometa estar comigo na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, mas que prometa ser meu amigo, meu amante; que prometa se deixar conhecer, que prometa não falar mal da pessoa que se casou só para arrancar risadas dos outros; que prometa ser sempre o que ele era minutos antes de entrar na igreja; que prometa amar até mesmo os meus defeitos.
E quando ele aparecer eu quero deixar dessa mania de ganhar do amor e deixar que ele me vença.
Mas só quando o dito cujo aparecer...
...
Pra quem ligou, se preocupou, perguntou...
Estou bem agora.
Vai passar, até uva passa, certo?
Obrigada aos que deram beijinhos apertados e cuidaram de mim.
Eu amo vocês.
;* Ju, saudade!
;* Leo, bom te ver! ^^
;* Ricardo, bom te conhecer! ;)
;* Bell, saudade!
