Eu não costumo escrever sobre monstros, até porque, esses seres são indiferentes pra mim. Digamos que estou aqui perdendo tempo e buscando as palavras certas por amor a uma pessoazinha muito especial pra mim, que por não ter conhecido nenhum monstro até então, caiu na lábia de um e até hoje sangra.
E, por que eu havia prometido que escreveria sobre isso.
Eu lembro que escrevi sobre SER GRATO.
Coisa que, definitivamente, monstros não conseguem ser. Portanto, não adianta mais pedir que seja grato, que seja bom, que seja GENTE.
Sabe aquelas cartas de heróis que vem nos salgadinhos do Elma Chips, com o herói, o seu poder, e alguns números que só esses garotos viciados em joguinhos e desenhos da Tv Globinho entendem? Então... Esse monstro a quem me refiro é o Montro-espinho.
Gozado, né?
Ele vem com a flor. Como todo espinho. Traz encanto, ternura, e lindas noites a luz do luar. Bom, qualquer boa menina se encanta por um monstro desses. Decidi pegar a flor e, a merda ta feita!
Imagine que, a flor é um dos métodos que ele usa para cravar seu espinho e só retirar quando achar que deve, quando cansar de machucar. No início é bom, a boa moça se distrai com a beleza da rosa e não percebe o espinho indo fundo demais, fazendo com que todo o sangue que circule no teu corpo passe por ele, primeiro. Depois de uns dias, a rosa morre, a beleza acaba e resta a você conviver com aquela dor, que nunca passa.
Eu pensei por várias noites em como escrever sobre isso, afinal, eu convivi com o monstro e, até eu me enganei. Ele deve ter passado anos cultivando aquela flor, vendo em qual época ela ficaria mais bela, até conseguir exatamente o que queria. A menina desistiu de tudo que era certo, de todos os sonhos que tiraram o seu sono, desistiu de toda a espera, de toda a esperança de que o seu amor voltaria só pra ela. A menina desistiu de tudo pelo encanto da flor. Cada vez que eu me lembro do abraço, e dos beijos, das poucas vezes que o vi em ação, não consegui ver sua outra face rindo de tudo aquilo. Eu acreditei em sua capacidade de fazer alguém feliz e, consequentemente, ser feliz.
O problema é que... Monstros possuem algo parecido com o coração. Infelizmente, o plano não foi exatamente como ele queria que fosse. A menina possuía mais encanto que a flor, guardara tudo o que aprendera durante toda a sua infância, por todos os livros que leu, as boas músicas que ouviu. E monstros também se encantam; mas não deixam de serem monstros.
O espinho ainda está nela, mesmo depois de toda a desilusão, de toda o sofrimento, de toda a raiva. O espinho está nela por que ela ainda quer, e porque ele não quer. Ela ainda quer alguma coisa dele pra se lembrar pra sempre que um dia possuiu-o, que um dia o encantou-o, que teve em suas mãos um monstro caído de paixão. E ele não quer sair dela, porque a conhece o suficiente pra saber que se sair, ela o esquecerá, porque ela sabe se valorizar, ela sabe entender quem a ama, ela sabe deixar que a amem, e ela é humana, ela cansa. Ao contrário do monstro que não tem calendário e também nunca sabe a hora certa de ir ou de voltar, porque, se soubesse, já estaria deitado no colo da menina há muito tempo.
Depois de conhecer esse monstro eu entendi perfeitamente porque todos nós choramos quando nascemos...
Choramos ao nascer porque chegarmos a esse imenso cenário de dementes. Existe um monstro em cada esquina, em alguns olhares. A gente nunca sabe ao certo como eles querem se alojar, mas eles querem. Sempre querem.
