quinta-feira, 26 de março de 2009

Gases urbanos *-*

Fuçando meu note book, eu encontrei esse texto que escrevi numa manhã, não lembro qual foi, mas lembro que ainda era férias e ainda não tinha instalado internet em casa.

Eu passava todo o tempo escrevendo textos, assistindo filmes, e alguns programas caseiros que a mãe costuma assistir. Lendo um deles, hoje, um pouco antes do fim do meu expediente, resolvi postar. Eis-o aí:

"Eu estava assistindo o programa da Ana Maria Braga. Choveu a madrugada inteira, e não só a madrugada, mas chove há duas semanas e a pista que liga o centro (minha casa) até o Ingleses (colégio onde estudo) está interditada por conta de um desmoronamento. Como a “mocinha” do Jornal das 07h00min disse:
“... esta tragédia que parece não ter fim.”
Foi triste pegar o pão quentinho passado manteiga, o copo de suco e ver meus pais tomando café sabendo que milhares tinham isso até ontem e, por uma revolta da natureza, essa manhã não tiveram.
Tudo sendo arrastado pela água podre que invade as casas sem dó nem piedade.
É quase impossível deixar de pensar em todo esse sofrimento, mas uma coisa que Ana Maria Braga comentou hoje cedo me chamou a atenção.
VÍRGULA.
Algo tão importante e, se empregado incorretamente, pode causar um transtorno e tanto!
Quando ela deu o primeiro exemplo, toda uma história passou pela minha cabeça. A minha história.
1ª Não espere.
2ª Não, espere.
Você, assim como eu, já usou essas frases. Mas será que foi empregada no momento certo?
Quantas vezes você disse “Não me espere” querendo dizer “Não, me espere”.
Isso me fez pensar o triplo do normal durante toda a manhã, fiquei pensando nas coisas que falei e nas que ouvi. Se tivéssemos mudado UMA VÍRGULA, será que não seria totalmente diferente?
Quem sabe, eu não seria o que sou hoje, não teria o que tenho e o que não tenho, estaria com alguém ou sem ninguém, seria mais feliz ou infeliz. Ninguém sabe. Afinal, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Mas, uma vírgula mudaria muita coisa.
Ao invés de “Não te amo”, poderia ter dito “Não, te amo”; ao invés de ouvir “Não, me esquece” poderia ter ouvido “Não me esquece”. Quem sabe o dia não seria bem mais colorido e feliz?
Mas... No fundo, no fundo, o controle das vírgulas na nossa vida não está necessariamente em nossas mãos. Mas, é tudo movido por um impulso sobrenatural.
Aquela história “Deus faz hoje, você entende amanhã”.
Amanhã, quem sabe, você não entenda o porquê exato da vírgula estar ou não ali...!


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São 11h57min.
De repente, o dia escureceu. Ficou com cara de fim de tarde de verão. Pude sentir o cheiro que o sal deixa no nosso corpo depois daquele dia emocionante na praia. A chuva caiu forte. Muito forte. Mas durou minutos... Foi só pra me fazer reviver bons momentos.
Logo após, o dia clareou novamente, a chuva ficou mais fraca e eu pude sentir o cheiro do camarão que a mãe está preparando.
Ainda não me localizei. Não consigo chegar e dizer “esse é o MEU lugar”.
Só quando fecho os olhos me sinto segura, porque é na escuridão que escondo por trás do meu olhar que consigo encontrar tudo o que me faz feliz.
Da janela do apartamento eu vejo o topo de uma árvore. Uma linda árvore. Ela parece ter mais vida do que qualquer imortal que usufrua da sua extensa sombra seja para se refugiar do sol ou para namorar num belo dia de verão (que promete não existir mais).
Tudo acontece e ela permanece ali.
Eu sofri, chorei, sorri e quase enfartei de nervoso ou felicidade. E ela sempre esteve ali, mudando uma folha ali, outra aqui, mas sempre esteve ali. No meio dos prédios, numa bagunça de buzinas e pessoas correndo com pressa para fazer alguma coisa útil ou inútil. Quase coberta pela fumaça preta que os carros soltam como se fossem GASES urbanos. "

Eu ia continuar... Não lembro como, mas ia.
Mas, lembro-me que, eu precisei sair pra me matricular no colégio, e acabei deixando o texto sem terminar, ou quem sabe, terminado. (Y)

Buenas, queijos ;*